
Vida Previdência

Há uns anos, marcar uma teleconsulta parecia coisa de ficção científica. Hoje, a telemedicina está incluída no seguro de saúde e as pessoas utilizam essa cobertura com a mesma naturalidade com que marcariam uma consulta presencial, em alguns casos, até com mais regularidade.
O que mudou? E o que é que, concretamente, pode fazer através da telemedicina com o seu seguro de saúde?
Este artigo baseia-se numa conversa com Tiago Felgueira, Diretor de Produto na AdvanceCare há 24 anos, no podcast Real Vida Seguros.
A telemedicina no contexto dos seguros de saúde é uma consulta médica feita por videochamada ou chamada de voz, marcada pelo segurado através da app, com um médico disponível para o efeito.
Não é uma linha de aconselhamento. Não é o mesmo que procurar sintomas no Google. É uma consulta com um médico licenciado, com possibilidade de prescrição e, se necessário, de encaminhamento para consulta presencial.
A AdvanceCare disponibiliza telemedicina com resposta em menos de duas horas. Tiago Felgueira explica: “em menos de duas horas, comodamente e sem ter que se deslocar a lado nenhum, fala com o médico, tem a sua consulta, e tem a prescrição, caso seja necessário."
O processo é simples. Abre a app do seguro, selecciona a opção de telemedicina e escolhe um dos horários disponíveis, que podem incluir períodos ao final do dia, e aguarda o contacto do médico.
Na consulta, descreve os sintomas. O médico avalia. Há três desfechos possíveis: o médico avalia a situação e emite prescrição se necessário; considera que é preciso consulta presencial e encaminha a pessoa; ou entende que a situação é urgente e orienta para os serviços de urgência.
“Se for a uma urgência, eu vou àquela hora, eu sei quando é que vou, não sei quando é que saio. Na telemedicina, eu sei exactamente quando é que vou e quando é que vou sair, porque eu vou marcar para a hora que é mais conveniente para mim”, diz Felgueira.
Um exemplo prático: a renovação de receituário. Quem tem medicação crónica precisa de renovar a prescrição periodicamente. Fazer isso por teleconsulta evita deslocar-se ao consultório e ocupar uma consulta presencial para algo que se resolve em dez minutos.
Cerca de 70% das pessoas que recorrem aos serviços de urgência do SNS são casos não urgentes, de acordo com os dados da triagem de Manchester nas urgências de saúde em Portugal, referenciados por Tiago Felgueira.
E isto acontece pela falta de alternativas acessíveis e rápidas. Quando a próxima consulta disponível é daqui a um mês e a pessoa está desconfortável agora, a urgência torna-se a única opção razoável.
A telemedicina muda o funcionamento desse processo. Cada situação não urgente resolvido por teleconsulta contribui para reduzir a pessão sobre os serviços de urgências e deixar vagas para quem realmente precisa. “A digitalização permite resolver essa necessidade do cliente sem estar a interferir com os serviços de urgência”, diz Felgueira.
Em 2020, a telemedicina passou de opção secundária a única opção disponível para consultas não urgentes. Tanto os médicos como os pacientes viram-se obrigados a experimentar um modelo que muitos olhavam com desconfiança.
A dúvida que se colocou em 2021 foi legítima: com o regresso à normalidade, as pessoas abandonariam a teleconsulta?
A resposta foi não. “As pessoas começaram a adoptar, gostaram da experiência e perceberam as mais-valias”, diz Felgueira. Os dados da AdvanceCare mostram um crescimento anual da utilização desde então, com transferência progressiva das urgências para a telemedicina. O NPS do serviço está nos 38%.
A telemedicina começou com a teleconsulta de doença aguda, como casos de febre, infecções e outras situações que habitualmente levam as pessoas às urgências por falta de alternativa mais rápida.
Com o tempo, foram incluídas as especialidades. A medicina do viajante permite fazer a consulta prévia para viagens internacionais, que inclui avaliação de riscos, vacinação e guia de cuidados: tudo por teleconsulta, com prescrição incluída.
A área da saúde mental foi integrada posteriormente. No pós-pandemia, a procura por psicologia e psiquiatria cresceu. A teleconsulta reduz a barreira de entrada: a privacidade de falar com um psicólogo a partir de casa é, para muitas pessoas, o que torna possível dar o primeiro passo.
A dermatologia está prevista como projeto piloto. “Não vamos resolver todas as situações, mas queremos resolver uma parte dessas necessidades do cliente”, diz Felgueira.
Antes de marcar uma teleconsulta, há uma ferramenta disponível na app que ajuda a perceber o que pode estar a acontecer: o symptom checker.
É um software com inteligência artificial que, com base nos sintomas introduzidos, calcula a probabilidade de diferentes patologias e indica o que fazer a seguir, tendo em conta as condições do seguro contratado.
A justificação parte de um comportamento que já existia: “todos nós já fazíamos isso: íamos ao Google, colocávamos os nossos sintomas.” O resultado do Google é frequentemente impreciso. “Normalmente estamos a morrer”, diz Felgueira, sem rodeios.
O parceiro utilizado pela AdvanceCare tem certificação classe 2A pela União Europeia, atribuída por uma entidade externa e independente. A indicação resultante é personalizada com base nas condições contratadas pelo segurado.
Os seguros de saúde foram, durante décadas, desenhados para financiar a doença: o tratamento depois de algo correr mal. O próprio nome legal ainda é “seguro de doença” em muitos contratos. A telemedicina começa a mudar esta lógica, mesmo que de forma silenciosa.
Tiago Felgueira é directo quanto ao caminho a seguir: “cada vez mais vão ter que estar focados naquilo que é a prevenção. E o digital vai ajudar bastante nisso.” O argumento é simples. Quando a barreira para falar com um médico é quase zero, sem deslocação, sem espera, resposta em menos de duas horas, as pessoas agem mais cedo. Uma preocupação que antes ficava em suspenso semanas, até que o incómodo se tornasse insuportável, passa a ser resolvida no próprio dia.
Isto tem implicações concretas. A renovação de receituário feita regularmente evita que a medicação crónica seja interrompida por falta de consulta. Um sintoma que poderia ser ignorado é avaliado enquanto ainda é fácil de tratar. A consulta de medicina do viajante, que muitos adiavam por falta de tempo, passa a ser feita com a antecedência necessária.
Não é prevenção no sentido clínico mais rigoroso. Mas é uma mudança muito positiva de comportamento, que vai da reacção à antecipação, e que a telemedicina tornou possível sem exigir um esforço adicional ao segurado.

Através da app do seguro. Seleciona a opção de telemedicina, escolhe a hora disponível e aguarda o contacto do médico.
Não. Resolve uma parte significativa das situações, mas o médico pode encaminhar para presencial quando a avaliação física é necessária.
Sim. A prescrição electrónica é emitida durante a consulta, se o médico considerar necessário.
Uma ferramenta disponível na app que, com base nos sintomas introduzidos, indica a probabilidade de diferentes patologias e orienta para a próxima acção recomendada. Tem certificação classe 2A pela União Europeia.
Indiretamente, sim. Ao reduzir a barreira de acesso a uma consulta, incentiva as pessoas a agir mais cedo, antes que um problema menor se agrave.
A telemedicina deixou de ser uma alternativa de emergência para se tornar uma opção habitual para quem tem seguro de saúde. É mais rápida do que as urgências, mais cómoda do que a consulta presencial para muitos casos.
Se tem um seguro de saúde da Real Vida Seguros e ainda não usou a telemedicina, está a deixar parte do que paga mensalmente por explorar.
Consulte as opções de seguro de saúde da Real Vida Seguros:
Real Seguro de Saúde Doenças Graves
Pode também consultar o diretório clínico da AdvanceCare para explorar os prestadores disponíveis no seu seguro de saúde e na sua área de residência.
Se precisar de apoio especializado, fale com um especialista Real Vida Seguros e esclareça as suas dúvidas sobre seguros de saúde.
Fontes e revisão editorial
Âmbito: Funcionamento, vantagens e evolução da telemedicina e do symptom checker no contexto dos seguros de saúde em Portugal.
Autoria: Equipa editorial Real Vida Seguros, especializada em seguros de saúde.
Base editorial: Entrevista com Tiago Felgueira, Diretor de Produto na AdvanceCare, no podcast Real Vida Seguros.
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